As 5 melhores leituras de 2013

Em 2013 eu acreditei que poderia ler muita coisa. Ledo engano. Ao lado do trabalho, entrou também uma volta aos estudos e o tempo, além de ter que se esticar para as aulas, teve também que ser dividido com as leituras para a universidade. Ainda assim, deu pra escolher 5 livros que realmente marcaram. Em ordem de leitura, aqui vai:

Os vestígios do dia, de Kazuo Ishiguro
The remains of the day

VestígiosdoDiaDo mesmo autor eu já tinha lido “Não me abandone jamais”, do qual também havia gostado bastante, mas “Os vestígios do dia” me parece ter ido além no sentido de trabalhar com memórias pessoais. Neste livro, um mordomo no melhor estilo tradicional inglês relembra sua vida como criado fiel de um lord. Ao relembrar, a construção da narrativa leva mesmo a uma reflexão que aparentemente o mordomo nunca havia feito, o que o leva a repensar certos aspectos de sua vida e da de seu mestre. Além da maneira de tratar da memória, de forma tão bonita e delicada, é interessante também pensar na própria aristocracia rural inglesa e ainda nas relações com a criadagem. Para quem gosta do seriado Downton Abbey, esta é certamente uma leitura recomendável, tratando mesmo desta lealdade e confiança que os criados depositavam nas famílias as quais serviam.

O paraíso das damas, de Émile Zola
Au bonheur des dames

Após perceber que a série da BBC The Paradise era inspirada neste trabalho de Zola,OParaísodasDamas resolvi me arriscar nesta leitura. Nunca havia lido deste escritor e pelo que percebi esta faz parte de uma fase diferente daquela pelo qual ele é mais conhecido, mas de qualquer maneira me lembra a literatura francesa do XIX com a qual tive algum contato (como Balzac e Stendhal). Aqui, trata-se da história de uma jovem que chega à Paris com seus irmãos mais novos esperando encontrar trabalho no negócio de seu tio, que é alfaiate. No entanto, depara-se com a família a beira da falência e uma vizinhança que vai para o mesmo caminho, amedrontada pela instalação de um grande magazine que consegue vender tudo a preços muito mais módicos. O que me chamou a atenção neste livro foi a descrição de uma parte da sociedade parisiense: a ascenção do homem de negócios em detrimento da aristocracia; as mudanças no modo de consumo, que passa de uma mera tarefa doméstica como qualquer outra para uma experiência prazerosa – e também cheia de supérfluos; o nascimento de um outro tipo de ator urbano, o empregado do comércio, que não trabalha com o corpo, está em contato com extratos sociais mais elevados, embora jamais vá chegar a pertencer a estes círculos, e passa a ser também consumidor daquilo que vende. Enfim, há certamente muito mais dentro desta obra, mas penso que estes são aspectos que mais me tocaram.

O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman
The ocean at the end of the lane

OOceanonoFimdoCaminhoEu estava em um caminho com o Neil Gaiman totalmente diferente. Após tentar engatar “Deuses americanos” sem sucesso (haverá nova tentativa), pensei que ele estava se consolidando como o excelente autor de “Sandman” e de lindas histórias infantis. Mas aí veio este livro. Apesar de ter um protagonista criança, é uma leitura para adultos, mas para o adulto que está relembrando, tentando resgatar algumas coisas que se perderam no processo de crescer, como acreditar facilmente no mágico e no absurdo.

O fio das missangas, de Mia Couto

OFiodasMissangas

Desses livros que ficaram sentadinhos na prateleira por períodos inexplicáveis, esse Mia Couto esteve aqui por uns bons 2 anos antes de finalmente ser lido. Na minha tentativa no fim do ano de variar um pouco as leituras, decidi partir para a África e certamente foi uma das melhores decisões que tomei. Trata-se de um livro de contos, uma das minhas maneiras preferidas de conhecer novos autores. Me lembrou muito os autores latino-americanos, naquela maneira cara de pau de dizer absurdos (como diria o Gabo). Mas o mais interessante do Mia Couto é a forma como ele trabalha a língua, torce e destorce palavra, inventa, usa inesperadamente uma palavra num contexto no qual não estamos acostumados. Me disseram que isso é coisa do Guimarães Rosa (que não li ainda nesta vida!), então aí estão dois autores a serem lidos num futuro muito próximo.

Ratos e homens, de John Steinbeck
Of mice and men

RatoseHomensPor dica do canal literário do Youtube Ratos Letrados resolvi finalmente me aventurar neste exemplar tão minguado que está juntando traça e poeira na minha casa desde que me entendo por gente (realmente acredito que ele habita por aqui desde antes de eu nascer). Me surpreendeu que um escritor norte-americano se engajasse numa crítica social tão pesada. O livro trata das vidas de alguns trabalhadores do campo na Califórnia da década de 1930, acompanhando suas vidas de trabalho, seus sonhos e a dura realidade. Do título à descrição da paisagem quente e seca, do isolamento desses homens do meio urbano “civilizado”, a impressão que eu tive durante a leitura foi realmente a de que o homem (ou pelo menos aquele homem do livro, o homem da lavoura) é nada, está mais próximo de um animal. Foi realmente uma dessas leituras de deixar uma sensação de mal-estar – o que eu tendo a considerar como bom, já que o livro permanece com a gente depois de terminada a leitura.

E bom, foi esta a minha seleção de livros de 2013. Deixe nos comentários suas leituras preferidas do ano passado! Acho ótimo dar uma “fuçada” nas preferências alheias… =)

2 thoughts on “As 5 melhores leituras de 2013

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