Retrospectiva 2015: em livros

Vergonha na cara é algo que eventualmente aperta. Estou aqui na metade já do mês de maio para falar do ano de 2015 na minha vida no que diz respeito aos livros e às leituras. 2015 foi um ano complicado em vários sentidos, cheio de inconstâncias. Contudo, me parece ser, olhando agora, um momento no qual a literatura entrou ainda mais na minha vida, as leituras sendo cada vez mais conectadas com problemas e observações a respeito do mundo e da vida.


Leia Mulheres

Embora a ideia de ler mais mulheres estivesse presente desde 2014, foi somente na segunda metade de 2015 que eu comecei a me dedicar à ideia. Convidada pela Michelle Henriques para tomar a frente de um clube aqui em BH, assumi o compromisso não só de organizar formalmente os encontros, mas de efetivamente ler e conhecer mais autoras.

Leia Mulheres, Outubro 2015
Foto: André Castro. Encontro de outubro/2015, Sesc Palladium.

Pretendo ainda falar mais longamente a respeito deste projeto em minha vida, mas destaco aqui o quanto o esforço (sim, de certa forma é um esforço) de sair do óbvio e ir buscar escritoras me fez encontrar textos e ideias interessantíssimas, além de ter feito pensar muito sobre uma diversidade de assuntos, notadamente no lugar da mulher no mundo. 


Descobertas: a não ficção

Mais para o final do ano passei por aquilo que vira e mexe acomete qualquer leitor: a chamada ressaca literária. Não me acertava com nada que começava a ler, não tinha interesse. Era como se estivesse em outra sintonia, diferente de tudo o que pegava pra ler. Foi então que descobri a não-ficção.

Nao-ficcção 1

Nao-ficcção 2

Não que eu nunca tivesse lido livros do tipo, mas o encontro com livros que dialogam mais diretamente com pedaços da realidade, geralmente sem academicismos, foi um alento pra mim, uma forma de seguir lendo, mesmo quando a ficção não estava dando conta do meu momento. Descobri, assim, autores como Susan Sontag, além de ter ampliado minha própria visão acerca da leitura. Eu amo a ficção, mas se a gente não está receptível à ela, às vezes a não-ficção, mais direta, é igualmente capaz de nos tornar sensível a certas questões.


Os livros

SalAçúcarGordura
Sal, açúcar, gordura
Michael Moss
Publicado no Brasil pela Intrínseca, 2015.

Cheguei a publicar um texto sobre este livro, que foi fundamental para que eu começasse a pensar de maneira drasticamente diferente a respeito de comida, enxergando-a como mais um produto: fruto da indústria e da publicidade.

 

 

SóParaFumantes

Só para fumantes
Julio Ramón Ribeyro
Publicado no Brasil pela Cosac Naify, 2007.

Uma coletânea de contos poderosa. Julio Ramón Ribeyro é peruano, e seus contos tocam muito no assunto da urbanização, nas contradições da América Latina no articular entre o antigo, o tradicional, com a modernidade importada da Europa e dos EUA. É genial.

 

 

MeusDocumentos

Meus documentos
Alejandro Zambra
Publicado no Brasil pela Cosac Naify, 2015.

Fui lendo na Zambra na ordem de lançamento de suas obras no Brasil, que pula alguns de seus trabalhos, mas está em ordem cronológica. Ele foi se consolidando, até chegar este livro e cair com estrondo em mim. Não sei se é do gosto de todos e eu mesma não consigo explicar. Acontece quando a gente tem uma atração que parece tão íntima com um autor ou obra. Um livro de contos. Talvez eu ame contos.

 

do_inferno

Do inferno
Alan Moore
Publicado no Brasil pela Veneta, 2014.

A mente de todo escritor deve ser algo meio terrível, mas o Alan Moore consegue pensar e expressar pensamentos de fato muito perturbadores, que beiram o horrorífico. Embora Do inferno trate de um caso sanguinário, assusta mais as ligações que Moore estabelece com a história, com o próprio horror que seria o século XX.

 

 

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Diante da dor dos outros
Susan Sontag
Publicado no Brasil pela Companhia das Letras, 2003.

Antes de mais nada, um pedido à editora: reeditem esse livro pelo amor de diós! Em tempos de insensibilidade, da incapacidade de colocar-se no lugar do outro, esse livro faz-se necessário. Sontag o viu como uma continuação e revisão de suas ideias publicadas em Sobre a fotografia (que ainda não li), trabalhando com as imagens de guerra que fizeram e continuar a fazer parte dos noticiários e que marcaram pontos da história. A quem servem, o que reforçam e sobretudo como pensar, de fato refletir, sobre o que vemos. 

Para minha alegria, outros livros me agradaram, e muito. Contudo, gosto de manter o destaque a poucos, para que não fique muito diluída a lista de livros que de fato se destacaram neste período.


O ano também teve VEDA no canal do YouTube, teve minha decisão de me afastar do blog e canal por um tempo, mas principalmente teve eu pensando muito mais sobre minha relação com a literatura.

E é isso. 😉

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