Livros infantis para discutir diversidade | Parte 1

Há alguns meses o Leia Mulheres BH tem atraído pessoas às discussões presenciais. Contudo, de vez em quando percebemos pessoas interessadas no assunto e que não vão aos encontros por falta de disponibilidade, mas estão acompanhando e inclusive fazendo demandas. É o caso dos livros infantis para discutir feminismo.

Como pessoa que não tem filhos e nem crianças no meu círculo de contato imediato, eu nunca dei muita atenção ao assunto, compartilhando eventualmente no grupo do Facebook links que noticiavam livros infantis com viés feminista sendo publicados, mas publicados fora do Brasil. Ganham atenção publicações novas, projetos de sucesso em seus países, mas que em muitos casos não chegaram ao Brasil ainda.

Assim, surgiu a ideia de dar atenção aos livros infantis publicados no Brasil, extrapolando a temática de gênero e incluindo livros infantis que de alguma forma discutam diversidade. À medida que eu tiver acesso e ler esses livros, postarei por aqui algumas imagens, um resumo e o tipo de discussão que ele levanta. Alerto que não necessariamente os livros tratarão de gênero, mas estão sempre abordando diversidade ou temas mais complexos que podem ser discutidos com o público infantil.


A tartaruga infeliz   
Therezinha Casasanta
Ilustrações: Gaiola
Editora do Brasil
2009
23 p.

RESUMO: Uma tartaruga está insatisfeita com sua aparência e admira outros animais com pelo mais bonito que seu casco.
Para discutir: aparência diferente (parece que cabelo seria um tópico interessante aqui).

Tartaruga infeliz, de Terezinha Casasanta Tartaruga infeliz, de Terezinha Casasanta

 


 

As cores do arco-íris
(Título original: “The colors of the rainbow”)
Jennifer Moore-Mallinos
Ilustrações: Marta Fábrega
Companhia Editora Nacional
2008
31 p.

RESUMO: Este livro não tem uma história, mas fala sobre o arco-íris e suas a diversidade de cores que o compõem, apontando a necessidade de variedade para que ele seja bonito. Fala, neste sentido, também das pessoas, enfatizando o caráter étnico-cultural.
Para discutir: diversidade étnica e racial. O livro é cheio de imagens de pessoas que ilustram esta diversidade.

As cores do arco-íris, de Jennifer Moore-Mallinos

As cores do arco-íris, de Jennifer Moore-Mallinos


Fofinho
Teresa Noronha
Ilustrações: Sandra Aymone
Editora Ática
1995
24 p.

RESUMO: Fofinho não sabe o que é. Ele sai perguntando a diversos animais o que é que eles fazem, tentando imitar, sem sucesso, até encontrar uma galinha que o acolhe.
Para discutir: Este achei muito interessante para falar sobre identidade, achar nosso lugar no mundo.

Fofinho, de Teresa Noronha

Fofinho, de Teresa Noronha


Menina bonita do laço de fita
Ana Maria Machado
Ilustrações: Claudius
Editora Ática
2002
23 p.

RESUMO: Este clássico infantil fala sobre a admiração que um coelhinho branquinho tem por uma menina linda, que é negra. Ele quer saber como ela conseguiu aquela cor tão bonita. A própria menina não sabe explicar, até que sua mãe conta que a cor vem dela mesma e das gerações anteriores.
Para discutir: apesar de achar que este é um livro para todo mundo, imagino que para crianças negras seja fundamental para amarem-se, amarem a cor da pele, o cabelo… E também para começar a discutir ancestralidade, herança, passado… Muito legal esse livro.

Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado

Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado


A princesa que salvava príncipes
Claudia Souza
Ilustrações: Christelle Ammirati
Callis Editora
2010
28 p.

RESUMO: conta a história de uma princesa que, como diz o título, salvava príncipes. Ela veste armadura, tapeia a bruxa, luta e consegue libertar o príncipe. Achei interessante para quebrar o estereótipo da donzela em apuros, mas ele ainda tem alguns problemas, colocando as cenas de luta como enfadonhas para meninas (e assim localizando que o público leitor é de meninas, e não com meninos também) e portanto pulando certas coisas.
Para discutir: Apesar das falhas do livro, acho que ele dá pano pra manga pra discutir papéis de gênero. A própria proposta do livro é questionar a ideia de que são os príncipes que salvam e as princesas que precisam ser salvas. Mas para além disso, os problemas que apontei penso que podem ser pretexto para iniciar uma discussão com as crianças.

A princesa que salvava príncipes, de Claudia Souza

A princesa que salvava príncipes, de Claudia Souza


Bicos quebrados
Nathaniel Lachenmeyer
Ilustrações: Robert Ingpen
Tradução: Marina Colasanti
Global Editora
2003
28 p.

RESUMO: Um passarinho lindo e ágil repentinamente perde seu bico e não consegue mais pegar comida. Os outros passarinhos não o ajudam, e ele começa a ficar doente e fraco, até que é ajudado por um mendigo, que divide com ele seu pedaço de pão. Esse é de longe o livro mais lindo deste post, tanto por sua história como pelas ilustrações. Até chorei!
Para discutir: dá pra discutir muita coisa, mas me parece que pessoas com deficiência, classe e meritocracia aqui são temas fortes. No momento em que o passarinho perde seu bico, seu grupo lhe dá as costas, não assumindo responsabilidade pelo que pode acontecer ao passarinho pelo fato de ele não conseguir mais catar comida como antes.

Os outros pardais não ajudavam o amigo. Alguns estavam assustados com seu bico quebrado. Outros pensavam que se o bico dele estava quebrado (e o seu não) ele devia ter alguma culpa. Os demais calculavam que alguém o ajudaria.

Com o passar do tempo e sua aparência de fraco, suas penas feias e sujas, todos se afastam dele. É lindo o encontro desses dois excluídos da sociedade: o passarinho e o mendigo

Olhando atentamente para o desconhecido, o jovem pardal percebeu que eram parecidos. De alguma maneira, soube que também o desconhecido tinha o bico quebrado, só que o bico dele era para dentro, onde não dá para ver. Era por isso que estava sujo e não tinha casa. Era por isso que falava sozinho. Assim como o pardal, não tinha como evitar o bico quebrado.

Bicos quebrados, de Nathaniel LachenmeyerBicos quebrados, de Nathaniel LachenmeyerBicos quebrados, de Nathaniel LachenmeyerBicos quebrados, de Nathaniel LachenmeyerBicos quebrados, de Nathaniel LachenmeyerBicos quebrados, de Nathaniel Lachenmeyer

One thought on “Livros infantis para discutir diversidade | Parte 1

  1. O tema continua sendo pertinente e não podemos fechar os olhos para a questão numa época em que o assunto está nos meios de comunicação. esconder-se da discussão não é o melhor caminho. Nunca será.

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