Retrospectiva 2016: reflexões

O ano que passou foi um dos períodos mais transformadores da minha vida. Diferente do primeiro ano da universidade, quando parece que eu sentia as mudanças em mim mesma quase que na pele, no corpo; ou ainda dos anos que fui morar em outro país, descobrindo tanto do mundo; 2016 foi um ano de alterações introspectivas.

Claro, tivemos grandes acontecimentos políticos, marcos na história. E no âmbito pessoal e íntimo, estes eventos também se fizeram sentir. Neste último ano experimentei muitas sensações e mais do que nunca estive solitária, aprendendo a entender a solidão sem juízo de valor: ela apenas é, existe.

Não sei se penso sobre solidão porque li alguns livros, ou se li estes livros porque ando pensando em solidão (acho que as duas coisas), mas algumas leituras aparecem que muito me ajudaram em 2016 a refletir mais profundamente sobre ócio, solidão e o momentos introspectivos para pensar:

Esta atenção à necessidade do tempo para pensar, para digerir, para significar, me fez também repensar minha relação com as leituras e redes sociais. Desencanei do canal e, mais importante, deletei meus perfis no Goodreads e Skoob, pois em mim incentivavam uma atenção aos números ao falar de leitura: estabelecimento de metas quantitativas e a pavorosa classificação dos livros no limitado mundo das 5 estrelas. Para mim se tornaram prisões e faziam da leitura alguma outra coisa que eu não queria que fosse.

Decidi que tentaria falar somente quando tivesse algo para falar (ando treinando porque tendo ao tagarelismo). Esta é uma resolução para a vida, mas tento fazer o mesmo com o mundo dos livros: escrevo textos aqui para o blog quando acho que o que eu quero falar é algo relevante, quando há algo que quero alardear sobre aquele livro ou autor. De resto, deixo pra lá.

Ao mesmo tempo, passei a querer elaborar melhor o que penso e acho que faço isso melhor escrevendo. Neste sentido, abandonar o canal no YouTube e ficar somente com o blog, escrito, foi um movimento natural – não planejei nem justifiquei mentalmente, mas olhando para trás, fez todo o sentido que isso acontecesse e que eu fincasse meus pés por aqui mesmo. A escrita, aliás, entrou um pouco mais na minha vida porque também sem pensar comecei a escrever diário, algo que fazia muito, muito esporadicamente. Hoje escrever qualquer coisa por ali já é mais comum, embora eu quisesse escrever ainda mais. Me faz bem, me traz um momento de elaboração com as palavras que entra de modo mais corriqueiro na vida. Penso que é um exercício de criação, embora eu não escreva ficção.

E totalmente fora do âmbito das palavras, mas na linha da criação, neste ano me engajei em atividades diferentes: fiz uma aula de desenho e me rendi ao antigo desejo de costurar. Se o desenho não rendeu, a costura tem sido uma atividade libertadora: fazer algo com as mãos, criar um objeto a partir de outros, sentar por algumas horas e ver ao final um resultado palpável dos esforços.

Meu mundo que tanto gira em torno de textos às vezes é ingrato: ler não é uma atividade cumulativa, ao terminar um livro a gente não conquista uma nova habilidade. A gente pensa e repensa. Meus fazeres se resumem muito a ler e, quando passo à parte produtiva, escrever. E construir um texto tampouco é linear, meu produto final nunca é final mesmo. A costura como que entrou para entender que há outras realidades no mundo e em mim. Mas divago muito já.

Enfim, talvez criando agora uma narrativa do meu ano de 2016, posso dizer que este foi um ano reflexivo, no qual entendi que preciso agir (escrevendo, criando) e que a ação é pequena, localizada, mas constante. (Para esta ideia, que é também uma ideia de resistência, Outros cantos, da Maria Valéria Rezende, contribuiu muito.)

Foi o ano que fiz 30.

2 thoughts on “Retrospectiva 2016: reflexões

  1. Ahhhh Olívia!
    Me identifiquei taaaanto com seu texto, que parece que você assistiu minha vida e escreveu aqui! haha’
    Algumas mudanças ocorreram aqui dentro de mim também, passei a dar uma importâncias às coisas mais simples e a me questionar como cada coisa se encaixa em minha vida, me senti tão só ainda que cercada por pessoas maravilhosas. Até comprei o livro “O Poder dos quietos” da Susan Cain por achar que havia algo errado com meu jeito sempre introspectivo, li o livro e gostei demais da leitura!
    Cheguei aqui depois de dar uma passeada no youtube e perceber que nós seguimos os mesmos canais sobre costura (eu também costuro!!!), pensei: “Olha a moça da voz serena, temos um hobby em comum! Vou pegar algumas referências de livros e ver as resenhas”, quando entrei no seu canal percebi que os vídeos tinham sumido, daí como uma louca vim correndo ver se você tinha blog e me deparei com esse maravilhoso texto! Me senti menos solitária com seu relato e bem mais aliviada por ainda manter o blog.
    Desejo que seu ano de 2017 seja maravilhoso, cheio de “costurices” e criatividade, e que você encontre surpresas lindas em seu caminho.
    Amei seus textos, e agora passarei a acompanhá-la por aqui!
    Grande abraço

    1. Oi, Letícia!
      Olha, nao conheço este livro, vou dar uma pesquisada. De fato aprendi muito a enxergar a solidão de outra forma, ainda não consigo explicar, mas acho que você, tendo passado por algo parecido, entende. 😉
      Pois é, eu me retirei discretamente do canal, já estava sem atualizar mesmo, tentei um retorno no meio do ano que não vingou… Enfim. Mas que legal que você também costura! Assim, eu digo “costuro”, mas na verdade to mega no início e aprendendo. Às vezes até suo aqui, sai fumaça da cabeça tentando solucionar alguma situação da costura – mas tem sido divertidíssimo, estou amando demais.
      Muito obrigada pelo comentário! Essas situações de confusão mental (emocional, espiritual, sei lá, tudo) são difíceis até de externalizar, então fico feliz por ter conseguido conversar de alguma forma sobre essas transformações. Um ótimo ano pra vc também, Letícia! =)
      Besos!

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